segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Enxame sísmico atinge a Califórnia e lembra hipótese do Big-One



Nas últimas 36 horas, o sul da Califórnia sofreu um verdadeiro bombardeio tectônico e registrou nada menos que 135 tremores de pequena e média magnitude (13:52 - Horário do Brasil).

Apesar de os tremores serem comuns naquela região, o enxame sísmico chamou a atenção e lembrou que a região pode ser palco de um intenso terremoto a qualquer momento.



A incrível sequência de abalos teve início às 12h53 pelo horário de Brasília, com o registro de um tremor de 3.3 magnitudes localizado a 17 km do norte-nordeste da cidade de Indio.



O segundo sismo ocorreu quase seis horas depois, quando outra ruptura de magnitude 2.5 foi detectada a 5 km de Brawley.


Após esses dois tremores, todo o sul da Califórnia passou a tremer seguidamente, como se um verdadeiro bombardeio sísmico tivesse sido desencadeado a intervalos menores que 10 minutos.





Todos os tremores registrados até às 22h31 BRT eram de magnitude baixa, comuns naquela região. Nesse instante um evento mais forte, calculado em 5.3 magnitudes foi detectado na mesma localidade de Brawley, a apenas 12 km de profundidade.


A atividade sísmica permaneceu constante até ás 23h57, quando outro evento de magnitude 5.5 foi novamente registrado abaixo de Brawley.

Até a manhã desta segunda-feira o USGS, Instituto de Pesquisas Geológicas dos EUA, já havia computado pelo menos 128 tremores, a maior parte deles de média e baixa intensidade.




Apesar da atividade sísmica naquela região do Pacífico ser bastante comum, um enxame de tremores nessa quantidade foge aos padrões estatísticos. 

Normalmente, a falha de San Andreas - onde ocorreram os sismos - registra entre 4 e 12 tremores diariamente. Esse número pode atingir entre 30 e 50 quando ocorre um enxame sísmico.


Falha de San Andreas

A costa oeste dos EUA, especialmente a Califórnia, é um dos lugares com a maior atividade sísmica do planeta. É ali que se encontra a conhecida falha de San Andreas, uma gigantesca rachadura visível de 1.300 km de extensão, que marca os limites entre as duas maiores placas tectônicas do planeta: a placa norte-americana e a placa do Pacífico.


Apesar de não ser perceptível aos nossos olhos, naquela região a placa norte-americana desliza 14 mm por ano em sentido sudeste enquanto a placa do Pacífico se desloca em sentido oposto a 5 mm por ano. 

Vez por outra a resistência entre elas aumenta e a energia do movimento se acumula até ser repentinamente liberada. Esse deslizamento entre as placas causa grande instabilidade em todo o Estado da Califórnia e foi a causa do violento terremoto que abalou a cidade de São Francisco em 1906.

Big One: O Grande Abalo
De acordo com o USGS - Instituto de Pesquisas Geológicas dos EUA, o Estado da Califórnia tem 99% de chances de ser atingido nos próximos 30 anos por um grande terremoto superior a 6.7 graus e 46% de possibilidades para um tremor de 7.5 graus, que os habitantes locais chamam de "Big One", capaz de sacudir a cidade de Los Angeles com graves consequências.

Um levantamento realizado em 2008 mostrou a existência de mais de 300 falhas em todo o Estado da Califórnia.

Para os especialistas, se a região sofrer um abalo de forte intensidade, acima de 9.2 magnitudes, a energia liberada poderá ser suficiente para separar definitivamente parte d Califórnia do resto do continente americano.

Foto: No topo, imagem feita por radar de abertura sintética (SAR) mostra o reservatório de Crystal Springs, assentado exatamente entre as placas tectônicas do Pacífico e América do Norte. A represa armazena milhões de litros de água em uma das rachaduras provocadas pelo movimento entre as placas. Na sequencia, sismicidade na região do enxame. Cada pontinho representa um terremoto desde 1900. A estrela marca a localização do tremor de 5.5 magnitudes próximo à cidade de Brawley.

Créditos: Nasa/Jet Propulsion Laboratory/USGS, Apolo11.com.

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